terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O que acontece quando os médicos pensam.
Esta noite estive de urgência, coisa que (ainda) adoro. A adrenalina, o stress, o não parar para pensar um segundo noutras coisas, porque estamos ali, e ali tem de estar 100% de nós (pelo menos, por enquanto). A cumplicidade que rapidamente se desenvolve com os colegas, baseada na partilha: as perguntas, as dúvidas, a necessidade. E os doentes, ali, agudos, a precisar de nós, e nós a sentir que efectivamente podemos fazer alguma coisa, que o nosso trabalho é importante, que vale a pena tanto estudo e tanta entrega, mesmo que nos estejam a reduzir as horas extraordinárias como se não houvesse amanhã.
Tudo o que é preciso é não parar para pensar.
Morreu-me um. "É um oligofrénico", disseram-me, "está numa instituição". Não conseguia respirar adequadamente, tinha uma pneumonia grave, e estavamos a fazer o que podiamos por ele. "Não podemos fazer muito mais" - era verdade. De repente, quando olhei para ele, pensei no meu tio. Também é oligofrénico. Também tem as suas pneumonias. Também já foi internado muitas vezes. E ia fazer-nos tanta falta se morresse. E ao perceber que não podia fazer mais, por momentos a incapacidade tomou conta de mim. O lábio começou a tremer. De repente, aquele senhor era o meu tio, estava a morrer, e eu não podia fazer nada.
É por isto que os médicos não podem pensar. Deixem-nos estar assim, somos melhores quando não pensamos.
Tudo o que é preciso é não parar para pensar.
Morreu-me um. "É um oligofrénico", disseram-me, "está numa instituição". Não conseguia respirar adequadamente, tinha uma pneumonia grave, e estavamos a fazer o que podiamos por ele. "Não podemos fazer muito mais" - era verdade. De repente, quando olhei para ele, pensei no meu tio. Também é oligofrénico. Também tem as suas pneumonias. Também já foi internado muitas vezes. E ia fazer-nos tanta falta se morresse. E ao perceber que não podia fazer mais, por momentos a incapacidade tomou conta de mim. O lábio começou a tremer. De repente, aquele senhor era o meu tio, estava a morrer, e eu não podia fazer nada.
É por isto que os médicos não podem pensar. Deixem-nos estar assim, somos melhores quando não pensamos.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Coisas que aprendi em 2011.
Que nem sempre as pessoas que queremos que estejam, estão. Que muitas vezes as pessoas que ficam não são aquelas que esperamos que fiquem. Que, no fim de contas, só deve fazer falta quem está.
domingo, 18 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Recaídas.
Odeio retrocessos. Detesto a sensação de que todo o trabalho foi em vão, todo o esforço foi mentira, que tudo permanece latente e que nunca se irá embora.
Mas porquê agora?
Mas porquê agora?
domingo, 27 de novembro de 2011
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